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CRÓNICA D.A. #03 - REGENERAÇÃO DO CENTRO DE AVEIRO: CONSOLIDAR É PRECISO!

Terça-feira, 16.04.13

CRÓNICA D.A. #03 

Frederico Moura e Sá (fredericomsa@ua.pt)

 

Os centros tradicionais das cidades foram ao longo das últimas décadas perdendo alguma importância. Genericamente, este fenómeno foi particularmente motivado pelo aparecimento de novas centralidades periféricas (cuja competitividade é assegurada sobretudo por níveis superiores de acessibilidade motorizada).

Curiosamente, no centro de Aveiro, este fenómeno não ocorreu da mesma forma, ou pelo menos, não com a mesma intensidade. Isto porque foram surgindo dinâmicas positivas de revitalização que vieram contribuir para o reforço do centro no quadro da cidade alargada. Na verdade, tratou-se de um processo iniciado no final da década de noventa, de afirmação de um “novo centro”, mais alargado (no "arco": Canal do Côjo, Fórum, Praça da República, Rossio e zona da Praça do Peixe), que foi decisivo para o ajustamento do centro às novas dinâmicas de crescimento urbano (associadas em particular à afirmação da Universidade, do turismo e de um novo terciário).

O mais peculiar é que toda esta dinâmica aconteceu deixando de parte os dois elementos que constituem o “ponto nevrálgico” da cidade: a Ponte Praça e o topo poente da Avenida. Apesar do alargado consenso em torno do seu valor estruturante na organização e no funcionamento da cidade, o que se verifica é que estes dois espaços estão em declínio. Na verdade, ao não acompanharem as dinâmicas de transformação e de mudança dos espaços envolventes, estes espaços (pela indefinição do seu papel no novo contexto urbano) constituem hoje uma forte contingência à estruturação e dinamização de todo o centro de Aveiro.

Neste sentido, e ainda que seja necessária melhor articulação com a estrutura urbana e ecológica envolvente (em particular, com a Ria), a afirmação plena do centro de Aveiro, está sobretudo dependente da capacidade de inverter a tendência degenerativa e de perda que marca a Ponte Praça e o topo poente da Avenida. Eles constituem o “centro do centro”, e a sua qualificação é essencial pelo seu valor estruturante, simbólico e funcional, mas também porque assegurará a necessária consolidação e colmatação de todo o espaço central da cidade.

Importa ainda sublinhar que o desenho de uma estratégia alargada de regeneração urbana para o centro de Aveiro exige abordagens complementares que, em síntese, devem promover:

  • Ao nível da mobilidade: um sistema de transporte coletivo integrado e eficiente (com destaque para o potencial das Buga, para a estação ferroviária, e para a oportunidade de gerar na sua envolvente um centro intermodal de transportes); uma política de estacionamento e um modelo de circulação global para a cidade, capaz de induzir maior racionalidade na utilização do carro (reduzindo efeitos nefastos do tráfego de atravessamento no centro); mais conforto e segurança (quer pela qualificação das infraestruturas, quer pela diminuição do diferencial de velocidades entre utilizadores do espaço público) para os modos suaves (fundamentalmente para o peão).
  • O reforço da dimensão habitacional e uma mistura ativa de usos/funções (recorrendo para o efeito à criação de uma Área de Reabilitação Urbana).
  • Maior relação entre o Centro, a Ria e os canais da Ria (tirando partido das dinâmicas recentes de fruição (passeios de moliceiro) e do seu potencial ecológico e paisagístico).
  • Uma política de animação do espaço público envolvendo conjunto alargado de atores, de forma a criar atratividade e diferenciação suplementar nos espaços com maior vocação para o efeito (o Rossio, o topo poente da Avenida, a frente do Mercado, as margens do Canal do Côjo, e as Praças Melo Freitas, do Peixe e da Estação).

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